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14/05/2020 20:04:42
Brasil
Professor de Música da Universidade Federal de Alagoas lamenta morte do maestro Florentino Dias
Fundador da Orquestra Filarmônica do Rio, o maestro alagoano Florentino Dias foi vítima do COVID-19, no domingo, 10
Divulgação Florentino Dias foi vítima do COVID-19
Redação

 O professor doutorando da Universidade Federal de Alagoas, Nilton Souza, é natural de Traipu, e destacou a importância de outro traipuense, também professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Florentino Dias, que faleceu no Domingo, 10, vítima do coronavírus.


EXPRESSO1: No último domingo, dia 10 de maio, tivemos a triste notícia da morte do maestro Florentino Dias, traipuense, radicado no Rio de Janeiro. Ele morreu vítima do coronavírus. Gostaria que nos falasse sobre essa perda para a música? Florentino Dias foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, fundador de Orquestra, contudo, ele é desconhecido pela maioria de seus conterrâneos, agora com sua morte, ainda podemos fazer uma homenagem. Conhecer o homem, sua vida e sua obra seria uma justa homenagem?

Nilton Souza: O maestro Florentino foi uma músico que cresceu vindo da cultura de Bandas de Música, em Traipu, estudou com o nosso maestro Nelson Palmeira. Já no Rio de Janeiro, onde chegou ainda criança, desenvolveu sua atividade musical e foi servir a uma banda militar. Depois, por necessidade de aperfeiçoamente - era clarinetista - foi para a Universidade do Rio, tornou-se regente e clarinetista com formação superior. O maestro foi influenciado pelo que preconizava outro maestro nordestino, Eliazar de Carvalho, que fez mestrado em regência nos Estados Unidos, depois Florentino foi para os EUA e estudou regência, voltando ao Brasil com mestrado. Sua carreira foi muito importante para o desenvolvimento da música de orquestra, já que formou as principais orquestras do Rio de Janeiro.

EXPRESSO1: Florentino Dias não deixou Traipu pela falta de oportunidade para ele como músico, ele acompanhou a família que partiu para o Rio de Janeiro. Ele levou alguma influência da música de Traipu? Representa o esteriótipo do músico que deixa sua cidade por falta de oportunidades e vence na vida? Ele é um exemplo para as novas gerações de músicos traipuenses?

Nilton Souza: Sim meu caro, embora criança, seus pais foram para o Rio em busca de melhores oportunidades de vida. Não eram pobres, seu pai era um empresário dono de uma padaria, mas o futuro era incerto naquela época, como hoje acontece com nossos jovens. Eu acredito que ele foi um exemplo de vida e de conquistas para o músicos traipuenses. Estudar ainda é uma saída plausível para a condição do músico.

 

EXPRESSO1: Infelizmente, o Brasil é aquele gigante geográfico, mas anão enquanto nação. Num país desenvolvido, qual seria o papel de Florentino Dias? Por que Traipu nunca o conheceu de verdade?

Nilton Souza: No Brasil a importância de Florentino pode ser considerada como norteadora de uma época. Fazer música no Rio de Janeiro não é fácil.

O maestro Florentino tentou fazer concertos em Alagoas. foi inclusive homenageado pelo Governo do Estado em uma ocasião. Lembro que em 2013, se não me engano, o sub-secretário Alvaro Otacílio despreendeu esforços junto à Universidade Federal de Alagoas e a OSU (Orquestra )0, da qual eu era regente, para trazê-lo para Alagoas. Fazer uma apresentação em Traipu e outra em Maceió. Infelizmente por problemas técnicos não foi possivel.


EXPRESSO1: Florentino Dias saiu de Traipu, estudou e venceu. Fez mestrado, criou Orquestras. De alguma forma ele influenciou sua trajetória acadêmica, levou-o a fazer dois mestrados e agora doutorado. Qual é o legado deixado por ele?

Nilton Souza Tim: Na época que conheci o maestro estava no curso de graduação em música. Estudava com uma maestrina oriunda da UFRJ e que conhecia as proezas de Florentino. Eu via a sua carreira, de militar a acadêmico universitário como um exemplo. Eu me esforcei para manter o foco e estudar. Ele era um exemplo de sucesso, mas a minha vida particular já tinha …

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