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Blog do Márcio | Márcio Pedro

Quem é Márcio Pedro? Contador e Pós-graduado em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria, é Gerente Administrativo de uma grande indústria e distribuidora de alimentos. Sempre atualizado em assuntos de economia, política, educação e literatura, escreve também microcontos
25/08/2018 18:23:40
A honestidade acabará com a corrupção no Brasil?

Não temos como determinar de maneira simples para as pessoas o fato de que elas não podem transgredir, pois está na natureza humana a centelha da corrupção, ou de forma mais natural, que o ser humano é um ser corruptível como enfatizou um dia o médico psiquiatra Arthur Schnitzler.

Nem um canadense é mais honesto que um brasileiro, nem panpouco um brasileiro é mais corrupto que um suíço, já que a natureza humana é a mesma. O que diferencia uma sociedade de outra é a carga cultural construída por décadas de que a correção vem com a boa gestão e com a coerção. Dessa maneira deveremos enveredar por esse caminho mais duro no intuito de bloquear esse pensamento humano transgressor de leis, liberdades e direitos que o brasileiro ainda não aprendeu a respeitar vivendo em sociedade.

O professor Márcio Antônio nos dar outros esclarecimentos abaixo do homem social e sua natureza corruptível.

Todavia resta ainda um pensamento, se esse homem nasce bom, sem vícios ou maldades em que momento na vida social ele seria corrompido se a sociedade nada mais seria do que a organização desse mesmo homem em famílias e grupos? Para a existência de uma sociedade há a necessidade de um pacto - como bem expõe Rousseau - um contrato social. Nesse contrato o homem abriria mão de direitos naturais para uma vida pacífica em grupo. Como seria necessário esse pacto social se todos os pensamentos e comportamentos seriam bons e pacíficos, assim sendo entende-se que haveria o pressuposto de que o homem natural não seria de todo bom e pacífico, porque sempre necessitou de sobreviver e de proteger-se das forças que lhe poderiam prejudicar. Desta forma há no homem, mesmo no bom selvagem, o instinto de sobrevivência que o torna o lobo do próprio homem.

Deixando a filosofia de lado e abordando termos práticos, como poderíamos acabar ou diminuir a corrupção de uma sociedade?

Como analogia, adotemos como exemplo uma empresa privada com milhares de funcionários obrigada a adequar processos, padrões, deveres e obrigações para que o funcionamento desta não apresente falhas no desenvolvimento do negócio. Nesta mesma empresa trabalha diversos funcionários com personalidades distintas, com objetivos diversos e com características particulares como credo, cultura, escolaridade e ética.

À medida que a empresa domina a execução, cria normas, evidencia que os processos sejam transparentes, diminui os excessos, formaliza as agendas, fiscaliza incansavelmente, se cria um ambiente uniforme de gerir a empresa, é a tão conhecida cultura empresarial. Qualquer ponto fora da curva, incidente ou desrespeito as normas é tratado com seu devido rigor, sempre obedecendo às normas pré-estabelecidas. O funcionário mal intencionado irá ter grandes problemas e infinitas decepções de não conseguir o que ele almeja, já que a empresa fechou todas as frechas de possibilidades para corrupção. O funcionário bem intencionado agradecerá as normas e processos estabelecidos pela empresa, já que dessa forma se sente seguro de seus desejos mais perversos.

Da mesma maneira uma empresa desorganizada, sem processos estabelecidos, sem fiscalização, sem transparência, sem objetivo definido, sem critérios pré-estabelecidos, sem metas e resultados, o funcionário mais bem intencionado encontrará naquele ambiente um nicho perfeito para praticar a corrupção, já que a oferta de assalto apoiada à natureza corruptível do homem transborda naquela empresa sem controle, sem punição nem processo algum. Assim são nossas empresas públicas, instituições e poder politico mal gerido que todos os dias, através da mídia, nos presenteia com vários casos de corrupção sem fim. Ou seja, por mais que você seja um politico com novas ideias e que queira transformar o mundo, mais cedo ou mais tarde você se tornará produto do meio num sistema apodrecido de corrupção. O problema não são os funcionários, mas a empresa que tem que mudar seus métodos ou morreremos todos abraçados sorrindo da esperteza do outro.

A honestidade não acabará com a corrupção, uma gestão eficiente e continuada, sim!

Nota explicativa do autor: Ninguém é honesto a todo momento, todos os dias, a vida toda, pelos mais variados motivos, mas se tivermos mecanismos que impeçam que não façamos a coisa errada, isso irá criar depois de algum tempo uma cultura social contra qualquer tipo de corrupção. A corrupção sairá do nosso quadrado para dar espaço a honestidade, mesmo que forçada.

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